terça-feira, julho 20, 2010

Navegando...




Esse mês, ancorei meu frenesi no Barkaça 8. Agradeço ao diOli e ao mingau que organizam as poesias navegantes, parabenizo os poetas que poetam e convido as demais pessoas a lerem o charmoso e desbravador folheto. Todas as edições podem ser lidas no blog do Barkaça. Se alguém quiser a versão na antiga - e sempre ótima - tecnologia do papel, não hesite em pedir.
E vamos em frente porque navegar é preciso!

Om...

Om muni muni maha shakyamuni ye soha...



Om muni muni maha muni shakyamuni ye soha.

sexta-feira, julho 09, 2010

***

- Achar rimas para amor...
Amar, talvez.


***
E, se pudesse, faria como se não pudesse.


***
E, se quisesse, faria.


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[iria poderia gostaria querereria treparia calaria falaria falaria falaria sonharia cairia sorriria morreria e no instante seguinte viveria viveria ia ia ia...]


***
O turbante mostra o rosto.
Tá na cara.


***
A hora escondida é a hora do ser.


***
"Show me from behind the wall."


***
E me diga sem que eu precise ver.


***


Caetano Veloso; You Don't Know Me.

quinta-feira, maio 27, 2010

Clara Claridade de Clarice




“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”


A doçura de reconhecer mora no compartilhar.
Compartilhando claridades com Clarice.

terça-feira, maio 18, 2010

Isso é o que é




(...) Será então agora que devo começar a respirar? Depois que os dias se acabaram vieram outros mais dias do que os de antes. Será agora que vai começar? Dois sinais foram dados e o rei não chega, está atrasado? não vem? Desconfio amargurada que sua realidade não é. Dentro do que penso ser real o rei ainda não se fez. Agora é o que é. Passou. É. Mas o rei nunca foi para que eu pudesse lembrar que ele era. Ser é a semente. Pensando bem, ainda que caia em terra infértil, continuará a ser aquilo que é. Mas nunca será árvore. Talvez não tenha nascido para sê-la. Talvez tenha vindo ao mundo para ser semente toda vida. Então, ela não perde nada. Cumpre a função de ser o que é, mas não será aquilo que deveria. Deveria? Poderia? Gostaria. Pobre semente sem árvore. Que pode fazer sem tronco, sem frutos, sem sombra? Humilde, não precisa de nada. Nem água, nem sol, nem você, nem eu, nem de si mesma. Pode tudo. Pode? Ela continua lá... não precisa lembrar de si... Continua sendo o que é sem esperar nem rei nem terra fértil. Toca o terceiro sinal, o rei real.. acho que vejo seu espectro. Traz alguma coisa na mão. Mas ainda não vejo... ainda está escuro... (...)


p.s.: Palavras em cima de palavras. Acho que preciso mudar o nome desse blog.


Annette Peacock; Goodbye to the Past.

domingo, março 28, 2010

Free Frenesi




Quando toca suspiro olho tremo pêlos desmancho em dedos Torno a você jazz em notas raras o mesmo infinito Todo sem partes em duas repartidas. Vi cheiro em suas palavras e ruídos de entre-ares, toquei em seus vazios e comi seus não-lugares. No fim pintei um quadro tinta verde suja blues você todo amarelo sendo eu enquanto nu.

quinta-feira, março 25, 2010




Os cantos cheios de madrugada Alma livre vazia de nada Você todo eu pela calçada Cigarro fumaça passada. Vulto meu nu infinito primeiro o corpo - de primo espírito - depois alma já medito. Eis que então ela fala e humilde o corpo cala: a coisa somos dois. E o sol nele estala.

domingo, março 14, 2010

Tum tum.




Sou esboço de poesia,
Tum-tum,
Baixo & bateria.
Além do contra-
tempo,
sou aquilo que seria.



Miles Davis & John Coltrane; So What