quarta-feira, novembro 25, 2009

O Prenúncio da Sombra.




Há de chegar o dia
de ser e estar,
O Sem-
Tempo do não-falar.

O Cachimbo será
o mesmo
que a sombra
em seu lugar.

sexta-feira, novembro 13, 2009

Azul, amarelo, verde.




(...) Então, a moça de mil cores caminhava calmamente pela floresta entre as árvores que davam olhos. Brotavam por todos os cantos e as pedras vestiam roupas pois eram todas pudicas. Já a menina andava nua-esverdeada e apanhava os olhos que caíam maduros. Eram mais suculentos os que já haviam tocado o chão. Ela falava com a boca cheia de mácula e todas as nuvens e flores e bichos a compreendiam. E iam noite afora conversando sobre o Tempo enquanto ele não chegava para a festa.

quarta-feira, outubro 21, 2009

...?



(...)
Entre raios e trovões
Que se fazem
Foliões,
Meu peito é todo breu.

Confetes e serpentinas!
O Rei está vivo!
O Rei do sempre-nunca!


Fraca por toda Falta –
Filha da Quaresma
de sem-dias – ,
Não aproveito o carnaval
Nos jardins suspensos
Da Caverna.

segunda-feira, outubro 19, 2009

O Silêncio entre O Verbo.




Sou
aquela que jaz no entre-sono,


Entre os lençóis e a pele.
Entra entre a coisa
e verbo qualquer que a vele.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Lá no Sol.




Acaba que todo suspiro carrega o minuto passado e o devir. Já é o Lá depois do Sol.

(Suspiros)


Yndi Halda; Dash & Blast, Part 2

segunda-feira, outubro 05, 2009

Prelúdio.




E eis que Eunice começa a dormir despertando de seu sonho. Irei criá-la e usá-la. Seus sonhos desconexos e verdadeiros já se fazem sentido. E me permito dizer que ela já me abre caminhos como a água que passa entre as pedras. Renova o bom dia corriqueiro. Olha para mim como quem terminou de ler o livro e continua a escrever linhas e linhas de vida liberta. Ah, Eunice me ensina como quem de nada sabe. Estamos com sono. Boa noite e boa sorte.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Grande vazio




Então, eu fico matutando... Como pode existir tanta inexistência? Para mim, isso se percebe pela quantidade de arrependimento que há numa pessoísse qualquer. Eu fico fula e falo coisas que nem existem.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Bom dia de caramelo.




Dormi depois de cansada. Acordei depois de cansada. Hoje, vi o sol e não era um sol. Era sonho. As pessoas eram de caramelo e andavam por aí sem medo de se derreterem. Falavam de si e do mundo como se água bebessem. Tudo fazia sentido e caminhar era prazer. Hei de pintar o cheiro do café e escrever o gosto de você. Lá longe, naquela pedra, havia uma moça que voava e um velho que sonhava. Eu era toda música e me chamaram para a ciranda. Durou enquanto a fogueira queimava. Quando, do sol, nasceram a lua e as estrelas, estávamos cansados de não nos cansarmos. Abrimos, então, os olhos sorrindo. Já não fazia mais diferença se nuvem ou se pedra. Vinde a mim o que é.


Jeff Buckley; Dream Brother

sábado, setembro 05, 2009

Coisa de bicho.



É preciso um casco de jabuti, pele de crocodilo, um pescoço de girafa e um sorriso de hiena. Questão de sobrevivência. Mas continuo com meus braços, pernas, pêlos menos perfeitos e sãos.

sábado, agosto 22, 2009

Nú.




(...) Trazer a dança das estrelas para o chão de caos & ordem & caos & ordem. Compreender a vida com todas as pedras no caminho. Percorrer as veredas de coração verde. Adentrar com a alma à infinita Biblioteca. Sair da Caverna, atravessar a rua de brilhantes e encontrar aberta - sempre aberta - a porta da Tabacaria. Comer chocolates com a verdade do mundo. Buscar a eternidade do fim da história no início do Sol. Subir aos céus e curvar-me ao deus que, em mim, construiu a sua Pasárgada. Amém.

[Continua]


Radiohead; Nude

quarta-feira, agosto 05, 2009

terça-feira, agosto 04, 2009

Ser e estar-sendo



E se, de repente, eu fizesse teatro? E se, de repente, eu desistisse da vida acadêmica, começasse a escrever loucamente? E se, de repente, eu olhasse diferente para o que eu queria antes de tudo e voltasse a achar ter certeza de alguma coisa? E, se, de repente, eu trocasse minhas dúvidas velhas por outras mais que novas, brilhantes e mais verdes? Seria, certamente, um novo medo. Não que a novidade importe tanto... vale é não perder de vista o conjugar dos verbos.

segunda-feira, agosto 03, 2009

quarta-feira, julho 29, 2009

domingo, julho 26, 2009

Ai, mi corazón!




"(...) Se vive solamente una vez
Hay que aprender a querer y a vivir
Hay que saber que la vida
Se aleja y nos deja llorando quimeras.
No quiero arrepentirme después
De lo que pudo haber sido y no fue
Quiero gozar esta vida
Teniéndote cerca de mí hasta que muera."



Gigliola Cinquetti & Trio Los Panchos; Amar y Vivir

sexta-feira, julho 24, 2009

Areia...

Foi há pouco tempo, mas, entre as paredes que formam meus braços e pêlos, parece que nunca foi. Tudo tende a ser surreal demais... ou a não-ser. Falta presença nesse instante. Abrir os olhos e perceber o estar-sendo. (...)


Built to Spill; Carry the Zero

segunda-feira, julho 20, 2009

Início?

(...) Eunice achava que não havia mal em mostrar os olhos nus. Ninguém a tinha dito que era proibido; matava as coisas em que eles (não) acreditavam. Pobre de Eunice! Andava por aí, calma e tão real! Até que, um dia desses, tropeçou em uma pedra. E a pedra disse:
- "Já tive, também, esses olhos que traz abertos ao mundo. Mas ele não gostou. Não, não. Eu mirava toda aquela gente e não via. Ninguém refletia o que meus olhos diziam. Triste, fechei minhas pálpebras com tanta força que virei pedra."
- Está louca. Que mal pode haver num par de olhos?
- "Nunca percebeu que andam todos vendados? É por isso que sorriem tanto."
- Pensei que fossem felizes. Não é por isso que sorrimos?
- "Um dia, foi. Até que começaram a se desentender. Criaram tantas palavras, tantos nomes que tudo passou a ser diferença. Falavam coisas mas seus olhos contrariavam a boca. Ah, Eunice.. antes desse falatório, éramos reais!"
Eunice tentou esconder o quão impressionada estava e ficou muda por um tempo. A pedra sabia seu nome.
- Está assustada? A pedra falou.
- Não. Um pouco. Como sabe se não falei nada e não tem mais olhos?
- Aprendi a ver sem eles. Olhe bem para mim, menina.
Eunice abriu bem seus olhos grandes para ver a pedra. Foi quando se deu conta que era a coisa mais real que ela já encontrara. Mais que uma pedra, era um espelho. Eunice sentiu-se tão plena naquele instante que, cansada, piscou os olhos. (...)

quarta-feira, julho 15, 2009

"Perdoe-os, Senhor, eles não sabem o que fazem."

Erros são ataques. Ataques histéricos, de raiva, de insegurança, coléricos. Erros são o que fazemos quando não sabemos o que fazemos. Simplesmente fazemos. É inconsciente. Se assim não fosse, não seria um erro. Então, chega o vento fresco da Consciência. Sempre chega atrasada a moçoila. Por vezes, chega segundos depois do erro. Chega até mesmo no momento em que ele nasce. Ignorar é fácil e as coisas vão acontecendo... todas tortas. Uma sucessão de desastres. (...) É hora do pedido de desculpas. Mas não é tão fácil assim. Ninguém permite que seja. É preciso todo um falatório. É preciso uma espinha flexível para pedir desculpas. Ainda assim, é pouco. Costuma-se desculpar também de forma inconsciente. "Desculpo". Mentira deslavada! Fica sempre algum resquício de rancor, qualquer coisa que o valha. Orgulho é uma coisa que não serve para nada, eu digo. E é sincero. Orgulho é uma desculpa para não ter que se pensar nos outros. Não ter orgulho não significa ter que se humilhar. Não, não. Não ter orgulho, significa compreender aquilo que está além do seu próprio orgulho. Peço. Peço desculpas sempre. Nunca me arrependi de voltar atrás. Nunca me arrependi de esperar, falar, mostrar a minha retomada de consciência de forma crua. É dar a outra face. Pouco me importa a cristandade que envolve o ato. Pouco me importa. Ah, como pouco me importa! Se você está no chão, curvar-me-ei. Mea culpa.


The Stone Roses; Don't Stop

segunda-feira, julho 06, 2009

quarta-feira, junho 17, 2009

Sábado às 18h.

Disso tudo, o único incômodo é não ter o luxo da imprevisibilidade.
Então, eu vou bailando um bolero.
Dois pra lá... dois pra cá.

domingo, junho 14, 2009

Não-post.

Sabe... entrei aqui com o intuito de escrever/refletir sobre como é bom colocar as coisas no mundo. Deslocar. Transformar. Pretendia falar sobre como é bom ser uma boa companhia para si mesmo. E também sobre como estou feliz por ajudar pessoas a virem para o lado livre da força. Mas comecei a ouvir a trilha do filme Alta Fidelidade e, na seqüência (psico)lógica, comecei a ouvir Marvin Gaye com uma das músicas mais gostosas de todos os tempos. Então, deixei a reflexão de lado para mostrar minha face piegas/baranga/real e postar a letra de Let's Get it On:

Let's Get It On
Marvin Gaye
Composição: Marvin Gaye/ Ed Townsend

I've been really tryin', baby
Tryin' to hold back this feelin' for so long
And if you feel like I feel, baby
Then come on, oh come on
Let's get it on, oh baby
Let's get it on
Let's love, baby
Let's get it on
Sugar, let's get it on

We're all sensitive people
With so much to give
Understand me, sugar
Since we got to being
Let's live
I love you

There's nothing wrong with me
Lovin' you, baby no no
And givin' yourself to me could never be wrong
If the love is true, oh baby

Don't you know how sweet and wonderful
Life can be
I'm asking you baby
To get it on with me

I ain't gonna worry
I ain't gonna push
I won't push you baby
So come on, come on, come on, come on, come on baby
Stop beatin' 'round the bush

Let's get it on
Let's get it on
You know what I'm talkin' about
Come on baby, hey hey
Let your love come out
If you believe in love
Let's get it on
Let's get it on, baby
This minute, oh yeah
Let's get it on
Please get it on

So come on, come on, come on, come on, come on darlin'
Stop beatin' 'round the bush

Gonna get it on
I wanna get it on
You don't have to worry that it's wrong
If the spirit moves ya
Let me groove ya... good

Let your love come down
Get it on, come on baby.


E vai ficar por isso.
Ou ié, beibe!


Marvin Gaye; Let's Get It On

sexta-feira, junho 12, 2009

quinta-feira, junho 11, 2009

sábado, junho 06, 2009

Lessons Learned.



Eu não sou de ouvir/ver/cheirar todas as novidades que aparecem por aí... Mas essa aqui vale à pena. Let's get it on!


Matt and Kim; Lessons Learned

sexta-feira, junho 05, 2009

Sonâmbulo.

Há uma necessidade de onipresença. Um medo irracional (e qual não é?) de não se achar vivo se não há ouvidos para a sua respiração. São os tempos de sonambulismo. Oh, como somos tolos! Esquecemos de como é bom/necessário o retiro do mundo dos Outros. É preciso fechar os olhos para lembrar do que vimos. Esquecer é essecial para lembrar e pensar. Desejamos a praga de Funes, o memorioso. Ainda não é chegada a hora de conhecer a Eternidade. Ainda não estamos prontos para a plenitude. O caminho é longo e árduo. Precisamos dormir um pouco. Hoje, dormirei o sono sonhado dos zumbis-egos. Amanhã, voltarei a ser você. E a vida continuará a existir ainda que minhas pálpebras se cerrem. Amém.


The Beatles; Within You, Without You

Pós Silêncio.




Foto pós-trabalho sobre o Fundamento do Conhecimento. Schlick e Wittgenstein fazendo a sua cabeça.


Planet Hemp; Fazendo a Cabeça

quarta-feira, junho 03, 2009

Novas Veredas.

Saí à rua como quem abre os olhos depois de um sonho bom. As árvores eram verde-menta, a rua sem asfalto, o cheiro do carrinho de sorvete pairava e a igreja guardava a história da verdade (de verdade!). O frio me aquecia por inteira. Respirei fundo e assoviei a melhor canção que pude me lembrar. Como é doce querer-bem! Ninguém viu, mas era o Amor que ensaiava os seus primeiros passos.

(Pensando nas novas pessoas-amores)


Elvis Costello; Imagination (Is a Powerful Deceiver)

Agridoce.

É de chorar de rir. Dói a barriga, pensar. Com plumas laminadas, brota sangue amarelo. O vermelho & o verde colorem e pinga água dos olhos. Caminho.. caminho.. façamos o caminho de volta ao branco. Àquele lugar onde não é preciso abrir os olhos para falar. Não é preciso descerrar as pálpebras para entender. Está tudo lá. Todas as cores de melado e de limão. A visão é um sentido pós-moderno. Vamos falar do sexto. Aquele que é quase uma religião. (Zombaria). Vamos falar daquilo que não conseguimos. Vamos ultrapassar a
sétima proposição. Não é preciso fazê-lo com palavras. Voltemos os pés para trás. A la curupira. Andemos. Andemos na espiral! Vamos falar como hiatos, ouvir nos intervalos. Traguemos os minutos e escrevamos a fumaça. Sejamos claros. Espelhos. Vá, vá! Está tudo aí nesse buraco pulsante. Ontem, comi o mundo como uma alma sã. Ah, seu moço, era agridoce feito um frango xadrez com vodka e limão. E o frango me disse: "Viu, menina? Até que é gostoso quando se é Real."

(Para meu Petit menino com seus temperos e pimentões coloridos.)


John Frusciante; Carvel

terça-feira, junho 02, 2009

Olhos nas Mãos.

- Não acredito que o Amor acabe.
- Não se pode agüentar tudo.
- Não enquanto vivermos no Tempo. Isso é pouco pra mim.
- Ainda vivemos no mundo.
- Ainda não é ponto final. Almejo a esfera do Eterno.
- Olha .

domingo, maio 31, 2009

Lacuna.

(...) Turvo. Turvo. As imagens não se formam. Esforçam-se, mas permanecem na esfera do borrão. Os olhos da Razão mingüam ao vislumbrarem a imagem do real caminhante. Espera. Espero. & espero. Esforço homérico sem valor. Ninguém vê. Vê! "Somente se pode definir aquilo que não tem história". Donde estás? Cadê? Ah, maldito!, como se apropria do passado com suas tintas de sombra! Cospe e espalha, apaga o verde do peito com pincéis sujos de cinza. Eu digo que se dane! e sinto o vazio do falso. Lamentações sobre a lacuna...


Yo La Tengo; Green Arrow